04/04/2008

Hoje não me apetece por titulo


Ainda guardo, bem fechado num ténue espaço de memória, o olhar calvo do homem. De cabelos perdidos no tempo, confortavelmente sentado na dureza da pedra que o amparava. Soltava memórias vangloriosas de suas conquistas, pedaços de histórias dolorosas e apaixonantes de seus amores, há muito vividos. Brilhavam seus olhos pálidos à medida que revivia o mar de memórias de seu passado….


Mas… Alto e para o baile…



Sei quem foste, quem queres parecer ter sido. Mas, quem serás tu agora? Que desgaste trazes na carne, que parte comida tens nos ossos?


Fui, fiz, aconteci…


O que resta de ti agora?



4 da manhã, as insónias de sempre batem-me á porta da minha vida nova, tento tirar da cabeça a questão que me atormenta a noite, que me levou para bem longe o sono.
De que nos vale afinal o passado?
No meio de uma caminhada, com mais ou menos esforço, finalmente chega o momento, aquele momento da nossa vida em que subitamente nos vimos forçados a fazer:
FORMAT C:
E por mais avisos de que todos os dados os dados contidos no disco C serão apagados, já nada há a fazer! Chegou a hora de carregar ENTER.
Agora é tempo de esquecer:
Uma pessoa, aquela pessoa;
Uma forma de vida, aí a boémia melodia chamada vida;
Aquele carro, que por uma ligeira distracção ou um simples azar, acabou espatifado contra o muro do vizinho.
Seja o que for, ou quem for, o que realmente importa, é que em certos momentos da vida temos mesmo de esquecer, apagar para sempre as memorias que nos atormentam, que não nos deixam seguir em frente.
Será o nosso presente uma forma de vida volátil, que mais cedo ou mais tarde se irá evaporar nas entranhas do esquecimento?
De que nos vale afinal o passado?
Que importância tem o presente?
Terá o nosso futuro próximo, o mesmo triste destino do esquecimento?

E já que estou numa onda de perguntas:

Será inevitável que só nos lembremos dos comprimidos para dormir, quando são quatro da manhã?

Bem que podíamos formatar esta parte!

9 comentários:

Nilson Barcelli disse...

Olá Nuno

Obrigado pela tua visita e comentário.

Li os teus posts todos e gostei.
Alguma dose de loucura não faz mal a ninguém, antes pelo contrário.
Por isso, continua a comandar a tua caravana e não ligues muito ao que ladram os cães...

Bfs, abraço.

FERNANDINHA & POEMAS disse...

Olá amigo, lindo o teu texto... Bem ao teu estilo... No lugar de anti-depressivos, deixo-te um pequeno poema...

Um botão está a surgir...
Vai formar-se uma flor,
Será perfeito ao abrir,
será frágil como o amor ?

Votos de um bom fim de semana...
Beijinhos de carinho,
Fernandinha

Anónimo disse...

Belo blog, amigo!
Agora compreendo melhor a tua demência...
Abraço da Ama

Eme disse...

Nada como um pouco de loucura para apimentar a vida para além de uma filosofia eterna. Para quando formos o que ainda não somos, olhar para trás em gesto de satisfação e concluir: sim, eu fui.

linfoma_a-escrota disse...

good morning u.s.a. :)























WWW.MOTORATASDEMARTE.BLOGSPOT.COM

Sorrisos em Alta disse...

Oi, Nuno!

Parabéns pelo novo blog.

E re-bem-vindo à escrita na blogosfera!

Abraço

Espaços abertos.. disse...

Um olhar perpétuado pelas memórias do tempo trespassadas pelas profundas rugas que mais parecem vales ceifados pelo tempo.
Bjs Zita

Rafeiro Perfumado disse...

Formatar? Não será preciso, a vida louca que levamos irá fazer com que nos esqueçamos de muita coisa. Que se salvem as boas memórias, e já me darei por satisfeito.

Um abraço!

Alien David Sousa disse...

O presente tem toda a importância mas como muito bem o escreveste para o conseguirmos viver em pleno muitas vezes temos mesmo que :

"Chegou a hora de carregar ENTER.
Agora é tempo de esquecer:
Uma pessoa, aquela pessoa;"

Saudações alienígenas