11/09/2008

Sabor da Bomba


Não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas"
Aposto Paulo aos Coríntios

Escrevo-vos hoje da Cidade maldita, ouço ao longe o eco divino das bombas caídas. Entranhado na alma corre-me o rio em lágrimas de dor. Cheiro nauseabundo a ódio, cavalgar suave do cavalo enfurecido. Tantas as muralhas caídas, tantos os sonos quebrados e atirados no abismo do esquecimento. Solto-me nas sombras empoeiradas das ruas, despidas estão as janelas desprovidas de Damas esperantes… São as vozes que me matam, as vozes sussurrantes das crianças que choram, das crianças que mamam a dor em seu triste destino.
Quantas valas mais?
Diz-me, quantas valas mais?
Maldito seja vosso nome, maldito seja o aço que nos fere, a bala que nos mata. Atormentados sejam os dias restantes de teu sofrimento.
Tudo isto é dor, nada disto é fado…
Somos voz em forma de luta, gente em forma de raiva.
Que hoje se unam as vozes, que se fundam as vontades, que se lavem os cestos imundos de ódio. Que hoje se grite bem alto:
Puta que pariu a guerra…

By: NunoSioux In: Memórias da Alma sem Luz

1 comentário:

Å®t Øf £övë disse...

Nuno,
Tudo isto é dor, nada disto é fado... tudo isto é vida... vida por vezes demasiado cruel...
Abraço.